Portadores de necessidades especiais ganham projeto de profissionalização

Conhecer o Projeto Curupira foi uma linção de vida.  Fez reviver em mim conceitos que estavam adormecidos

MANAUS – O projeto Curupira, mantido pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM), em Manaus, oferece cursos profissionalizantes e palestras educativas à Pessoas de Necessidades Especiais (PNEs). A idéia, segundo o coordenador do projeto, Dalmir Pacheco, é possibilitar a essas pessoas o acesso ao mercado de trabalho.

A iniciativa foi criada por meio do Ministério da Educação (MEC) e é vinculada à Secretaria de Educação Superior (Sesu). O projeto oferece cursos de braile, linguagem de sinais, informática, xadrez, educação para o trânsito, além de inglês e espanhol. Em um ano, cerca de 150 alunos foram certificados, dos quais 26 já estão inseridos no mercado de trabalho.

– A intenção do projeto Curupira é oferecer condições para que uma pessoa com deficiência viva sozinha – disse o coordenador do projeto, o sociólogo e professor universitário do Ifam Dalmir Pacheco. De acordo com ele, o projeto se preocupa com a formação profissional, mas também com a convivência do deficiente em sociedade.

Para a implantação do projeto em Manaus, o Ifam passou por um processo denominado de “Acessibilidade Arquitetônica”, no qual parte da estrutura física da instituição passou por reformas. Rampas de acessos às salas de aulas foram criadas e os banheiros foram adaptados. Atualmente, alunos e professores do instituto são os responsáveis pelo andamento do projeto.

As cerca de 20 pessoas que trabalham no Curupira receberam capacitação em linguagem de sinais, braile além de Educação Inclusiva. “Implantamos a Acessibilidade Atitudinal, que foi a parte mais difícil, porque mexe com o comportamento humano em relação a pessoas com deficiência”, afirmou o coordenador.

 – Trabalharemos a educação para convivência. A idéia construir, pensar e imaginar ferramentas para construir essa acessibilidade pedagógica e integrar educadores e alunos – explicou Pacheco.

Metodologia

De acordo com os professores dos cursos de informática, as metodologias utilizadas nas aulas se baseiam, principalmente, no respeito ao ser humano. “Utilizamos materiais didáticos específicos para deficientes, mas a nossa metodologia é baseada na atenção individual e na sensibilidade de incluí-los no mundo tecnológico”, disse o professor de informática José Roberto.

Para o instrutor de informática Alexandre Rodrigues, o Curupira é ‘uma experiência de vida’. “São pessoas que se esforçam para também estar incluídos na sociedade e é nosso dever profissionalizá-los”, comentou o professor.

Inclusão e Acessibilidade

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, aproximadamente, 15% da população brasileira apresente dificuldades auditivas, visuais, físicas ou mentais. Anderson Rodrigues de Oliveira, de 33 anos, faz parte desta estatística.

Aos 24 anos, ele perdeu totalmente a visão devido a um tumor na cabeça. Ele cursava três faculdades e hoje, com apenas oito por cento da visão do olho esquerdo recuperado por meio de uma cirurgia, frequenta as aulas de inglês e espanhol do Projeto Curupira.

– É muito difícil ver meu filho nessa situação. Hoje ele estuda idiomas no Curupira e isso devolveu um pouco da auto-estima dele – conta a mãe de Anderson, Raimunda Rodrigues de Oliveira, 57, que acompanha o filho diariamente nas aulas.

DesenvolvimentoA mãe da deficiente auditiva Elida Fabiane de Araújo, 23 anos, fala dos benefícios do projeto para a vida da filha. “Além do conhecimento que ela adquiriu na área de informática, essa ação possibilitou a interação dela com outros surdos. Pegar o ônibus, voltar para casa, tudo ajuda no desenvolvimento dela”, disse Maria José Rodrigues da Araújo, mãe de Elida.

Segundo Maria José, as empresas já reconhecem a necessidade de um deficiente ter um emprego, mesmo diante da obrigatoriedade prevista em lei. “A minha filha já trabalhou em algumas empresas e eu já percebo uma leve mudança nesse sentido”, indaga.

O coordenador informou que o projeto Curupira está em processo de evolução, mas que já recebe contato de empresas do Pólo Industrial de Manaus em busca de indicações de PNEs para vagas no distrito.

– A nossa intenção é fazer com que o aluno saia satisfeito e que utilize o certificado o IFAM para o mercado de trabalho. O diploma, de acordo com ele, tem uma aceitação é boa no mercado de trabalho.

Próximas ações

No segundo semestre deste ano estão previstos a realização de curso de informática para deficientes visuais moderados e totais e o lançamento de um livro de lendas amazônicas em braile e áudio.

“O livro será um material paradidático para o professor utilizar na inclusão de pessoas com deficiência visual na sociedade”, explica o coordenador do projeto Dalmir Pacheco. 

Dalmir adianta que está previsto, ainda, o lançamento do projeto “Pré-Vest” que oferecerá aulas para quem desejar concorrer a uma vaga em vestibulares de universidades da cidade. As aulas serão ministradas por alunos de licenciatura do IFAM.

O projeto Curupira é realizado em um espaço do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM), antigo Centro Federal de Educação Tecnológica do Amazonas (Cefet/AM), localizado na Avenida Sete de Setembro, 1975 – Centro de Manaus.

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