Grupo artístico de São Paulo canta para a floresta amazônica

MANAUS – A floresta Amazônica foi ‘palco’ para uma apresentação inusitada do coral “Os degredados Filhos de Eva”, coordenado pela dramaturga Ana Vitória Monteiro. Cerca de 60 integrantes, entre músicos, dançarinos, cantores, instrumentistas, atores, fotógrafos e cinegrafistas, saíram de São Paulo (SP) para documentar todos os detalhes da semana em que eles permaneceram em plena selva, com o projeto “Cantando para a Floresta”. Os sete dias de viagem serão registrados por um canal de TV da Tchecoslováquia.

O grupo partiu, na tarde de sábado (24), da praia da Ponta Negra, em Manaus, e percorreu cerca de 60 quilômetros em linha reta até o hotel de selva Ariaú Towers, onde ficaram hospedados por dois dias. Enquanto uns apreciavam a paisagem do Rio Negro, outros saudavam a natureza com música.


O grupo partiu da Praia da Ponta Negra em Manaus e percorreu uma hora e meia no Rio Negro. Foto: Bruno Lopes/PA

“A idéia de virmos para cá [Rio Negro] surgiu da vontade de se fazer algo pela Amazônia. Em vez de fazermos uma ONG, por exemplo, elaboramos um projeto artístico com um grupo de pessoas talentosas e viemos cantar para a floresta, coisa que nunca ninguém fez”, explicou a autora do projeto, a dramaturga Ana Monteiro.

Confira mais fotos do encontro na Galeria do Portal Amazônia.

–  Viemos cantar em homenagem ao meio ambiente e divulgar  tudo para o mundo, por meio de um DVD. Essa é a idéia, uma coisa simples e sem pretensão alguma – acrescentou.

Além do DVD, o passeio renderá um livro, um álbum de fotografias amazônicas e um CD com sons da floresta. O projeto conta com a participação de vários documentarista brasileiros e um diretor da Tchecoslováquia.

A Viagem

O grupo desembarcou no hotel, após uma hora e meia de viagem. No local, músicos e dançarinos de boi-bumbá aguardavam os convidados para uma recepção à moda amazônica. Para completar, foi servido um almoço rico em iguarias regionais como peixes, molhos e frutas extraídos da selva.

Sem pausa para descanso, eles seguiram em passeio de canoa para conhecer as belezas naturais da região. Debaixo de uma leve chuva, o grupo banhou-se nas águas do Rio Negro e pôde observar os animais que compõem a biodiversidade amazônica, além das construções em palafitas na beira do rio. Entre pássaros e tucanos, foi o bicho preguiça que mais chamou a atenção de todos.


Divididos em grupos, seguindo passeio pelo Rio Negro. Foto: Bruno Lopes/PA

“A Amazônia é o maior palco do mundo, a maior riqueza do planeta. Todo brasileiro deve conhecer”, disse, emocionada, a atriz global Leona Cavalli, convidada para fazer participação especial no documentário como madrinha do projeto. Leona está no elenco da novela da TV Globo, Negócios da China, das 19h, em que interpreta a personagem Maralanis.

Segundo a atriz, o grupo se reúne quando é possível e faz apresentações em vários formatos artísticos. “É um coletivo de criadores”, define Leona, ao falar da importância do projeto em sua carreira como atriz. “Para mim, pessoalmente, que sou atriz, é importantíssimo, porque alimenta meu trabalho. Ele sai daquele cotidiano que estamos acostumados a fazer”, afirmou, enquanto observava a paisagem.

Cantando para a Floresta

O primeiro dia da ‘expedição’ seguiu à noite com um jantar na praia da ‘Barbie’, a 30 quilômetros do hotel Ariaú. Apesar da proposta do coral não ser voltada para o público, o grupo promoveu um luau para quem estava a passeio no lugar. Dentre eles, o jornalista da Rede Globo, João Pedro Paes Leme, que concedeu entrevista ao Portal Amazônia.

“Somos um grupo de artistas que possui um perfil criativo e que busca o resgate do sagrado por meio da música e da arte. A preservação da floresta faz parte da nossa identidade”, explicou a coordenadora geral do documentário, Ana Bettina. “A questão ambiental sempre esteve presente em nossas músicas e por isso, tivemos essa idéia. Já que cantamos tanto a floresta, por que não vir até aqui?”, acrescentou.

O canto iniciou com batidas de Atabaques e tambor. Ao som de canções que exaltam a natureza e proclamam a influência da floresta sobre a vida do ser humano, o público assistia atento à apresentação.


O coral ‘Os Degredados Filhos e Eva’ no momento em que o bailarino Wlamir Pires realiza a dança do Cocar, que de acordo com ele é uma homenagem à população indígena da Amazônia. Foto: Bruno Lopes/PA

“Acho muito interessante que pessoas de outras cidades, principalmente das metrópoles, tenham interesse pela nossa região. Mais ainda, que tenham projetos de sustentabilidade e divulgação da nossa mata Amazonica, saber que este encontro pode render um livro, documentário e um cd me faz pensar quantas pessoas iremos atingir, mostrando a nossa região realmente como ela é”, declarou Amrir Ferreira, que assista atento a apresentação do ritual.

Jogo de Futebol

Manhã de céu aberto. Foi assim que começou o segundo dia de passeio do grupo ‘Os Degredados Filhos de Eva’. Logo nas primeiras horas, eles seguiram rumo à tribo indígena Sateré-Mawé, na comunidade Sahu-Ape, entre os municípios de Iranduba e Manacapuru, no interior do Amazonas, onde participaram de uma partida de futebol.

Antes, porém, eles conheceram a Samaúma, árvore que mede 90 metros de altura, considerada pelos índios como a Mãe-das-Árvores. De acordo com os guias turísticos, estima-se que ela tenha mais de 600 anos


O grupo homenageia a Mãe-das-Árvores com o som de Berrantes. Foto: Bruno Lopes/PA

Para exaltar a gigante árvore, o grupo entoou o som do berrante, que se confundia com os cantos dos pássaros. “No geral, somos pessoas urbanas, que moram em uma cidade grande. Para nós é fundamental se aproximar dessa ‘força’ que vem da floresta para entender a dimensão na nossa responsabilidade como cidadão sob esse universo tão fundamental para a humanidade”, afirmou o paulista Cristiano Meireles, acordeonista e cantor no coral.

A chegada à tribo indígena foi marcada por muita simpatia. Após serem recebidos pelo chefe da tribo, conhecido como ‘Guerreiro’, todos caminharam até a aldeia, onde estavam sendo aguardados pelos Sateré prontos para o inicio da apresentação. “Estamos muito felizes com a presença de vocês. Voltem sempre!”, cantaram os índios na língua nativa, enquanto a cacique Baku traduzia para os convidados.

Para simbolizar o encontro entre os grupos, cunhantãs dançaram ao som de tambores, representando a cultura do seu povo, enquanto o coral assistia atento à apresentação. “O canto e a dança deles são incríveis”, disse uma das integrantes do grupo.

“A presença deles aqui, para mim, significa união. A gente fica unido às pessoas que nunca vimos nessa mata tão longe. Apesar deles esquecerem,  aqui fica ‘amarrado’ como amigo. É um encontro de povos diferentes, mais no fim, todos somos iguais”, declarou a cacique Baku.

A visita à tribo encerrou com uma partida de futebol entre os homens do coral e os índios da tribo. Assíduos no esporte, os nativos da comunidade Sahu-Ape golearam o time dos paulistas por 9 a 1.


A programação do dia seguiu com uma visita aos botos. Foto: Bruno Lopes/PA

Para a equipe do Portal Amazônia, a viagem encerrou no segundo dia, mas “Os Degredados Filhos e Eva” seguem pelo Rio Negro durante sete dias. A documentação na Amazônia termina quando o grupo chega ao município de Maués, a 260 quilômetros de Manaus.

Matéria publicada originalmente no www.portalamazonia.com

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